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sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Zélia Nascimento movimenta o MAM com livro e exposição



LANÇAMENTO DO LIVRO E MOSTRA SOBRE A ARTE DE ZÉLIA NASCIMENTO
DIA 18, DAS 18 ÀS 22 HORAS, NO ESPAÇO ARCADAS DO MUSEU DE ARTE MODERNA DA BAHIA

Um artista tem na sua arte a procura. Um compreender por indagações.
E a realiza criando seus trabalhos, sendo em alguns enfatizado a relação ou
inter-relação arte/vida como apropriada por meio dos sentidos e sensações para
a criação da obra artística. O reflexo diante de um espelho cotidiano.
E este é um dos caminhos para visualizar a obra de Zélia Nascimento no
livro que leva o seu nome, pela Capella Editorial, que será lançado dia 18 de
janeiro, das 18 às 22 horas, no Espaço Arcadas do Museu de Arte Moderna da
Bahia, na Avenida do Contorno, Solar do Unhão, apoio do Governo do Estado
da Bahia, através do IPAC – Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da
Bahia, acompanhado de textos assinados por Claudius Portugal, Vauluizo
Bezerra, Francisco Senna, e Beth Sousa, pontuada com uma mostra
retrospectiva de suas obras, com curadoria de Júlia Bitencourt.

O livro e mostra

Produzido pela Capella Editorial, com 246 páginas, a edição traz em
imagens e textos a trajetória de Zélia Nascimento, artista baiana, falecida em 27
de maio de 2022, e que com este livro, feito pela família, expõe o seu legado na
Arte da Bahia. Para seu filho Fernando Nascimento, esta publicação, “um desejo
de Zélia, iniciado quando estava viva, era de deixar um legado aos netos do seu
trabalho artístico reunido. O projeto iniciou quando ela recebeu o diagnóstico
da doença e foi confrontada com a própria finitude. Porém ela partiu sem ver o
livro pronto. O lançamento é a realização desse sonho e para nós da família
uma forma de homenageá-la, rememorar sua trajetória artística, e mantê-la viva
em nossos corações”.

Paralelo ao lançamento do livro Zélia Nascimento acompanha uma
mostra compartilhando a trajetória de seus trabalhos, com a curadoria de Júlia
Bitencourt, que traz como desafio principal para a exposição reunir em poucas
obras esses 60 anos de prática artística de Zélia, destacando fases que foram
mais emblemáticas de sua produção, até chegarmos aos últimos trabalhos, sob o
título Paisagens de mim, sua última série de pinturas. “Para entendermos este
momento é preciso seguir antes sua trajetória de arte e de vida, onde estes
pontos se destacam como basilares para o que realizou”. Essa mostra, assim
como o livro, é sobretudo um tributo à Zélia.
Entre os textos, temos uma biografia realizada por Claudius Portugal.
“Um dos pontos que chama atenção nesta produção de é que todos seus
trabalhos buscam sintetizar seus caminhos, as suas paisagens pessoais, e que
estas são antecedidas por estudos, num formato A4, ou folha de papéis ainda
menores, onde desenvolve a obra que fará posteriormente sobre uma tela. Este
processo acarreta uma construção e direciona as suas formas, as suas cores, os
seus gestos, aprimorando a conjunção arte/vida em que se faz na busca do que é
mais intrínseco nela. Se seguirmos a trilha que começa com os desenhos em
nanquim, as gravuras, mais especificadamente a xilogravura, chegamos nesta
trajetória a uma afirmação onde se pode dizer sem a menor dúvida: Estamos
diante de uma pintora”.

Para Francisco Senna, “A emoção impulsiona a sua criação, revelando-se
uma artista de forte personalidade, independente e destemidamente corajosa.
Seus traços são espontâneos e orgânicos, suas cores são profundamente fortes e
dramáticas, sua expressão é emocionalmente envolvente e magnetizante, sua
mensagem é universalmente direta e atemporal. São obras grandes e vigorosas,
fruto de vivências e experiências pessoais que, sem se importar com a cor ou
forma, buscam expressar emoções”.

De Vauluizo Bezerra temos: “Zélia Nascimento é uma artista que atua
segundo preceitos que a incluem no espaço do pensamento moderno e se
espraia ao contemporâneo. Sua obra se movimenta pelo uso de repertórios que
emblematizaram o moderno enquanto valores libertários, especialmente o
deslocamento da indicialização, ou seja, o distanciamento da representação
como elo da realidade aparente; a abordagem da pintura pelos seus valores
intrínsecos, a adoção de uma gramática visual que se afasta do mimético, se
distancia da representação secularizada pela janela da imitação do real. No
entanto, sua pintura não se aloja numa quadratura que lhe seja possível
identificar um modo ideológico, e aqui é onde podemos observar sua expansão
à uma noção de contemporaneidade por sua inclinação em singularizar suas
operações de trabalho que se dirigem à a junção arte/vida”.

E Beth Souza: “É assim que Zélia Nascimento desenvolve seu processo
pictórico: através das formas simplificadas e com muita habilidade na
manipulação das tintas acrílicas, que às vezes aparecem fluidas e às vezes
pastosas. As densas camadas de tinta resultam em texturas porosas com
aparência aveludada. As leves aguadas resultam em suaves veladuras deixando
transparecer os elementos do segundo plano, como nas telas onde grandes
faixas transparentes se sobrepõem às formas vermelhas de corações”.

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