Obra de Paulo Lima abre celebração internacional dos 250 anos de Beethoven
Homenagem à negritude musical está em peça escolhida para abrir, a peça será apresentada de 12 a 15 de dezembro, pela Osesp, com a presença do autor e sob a regência de Marin Alsop, na Sala São Paulo (SP)
Com referências rítmicas e melódicas da tradição afro-baiana e inspirada numa famosa cantiga de maculelê, a peça Cabinda: Nós Somos Pretos, de Paulo Costa Lima, foi feita em 2014, encomendada pela Osesp, que queria incluir o compositor baiano em seu concerto de abertura da temporada de 2015. Agora, a obra foi escolhida para a abertura da celebração de 250 anos do nascimento do alemão Ludwig von Beethoven, que acontece dias 12, 13, 14 e 15 de dezembro na Sala São Paulo, na capital paulista.
“Cabinda surgiu da necessidade de construir um painel sinfônico a partir de diálogos entre o universo africano e a tradição musical sinfônica: uma busca de plasmar um jeito especial de ser desse mundo híbrido imaginado”, diz o autor. “Considero a rítmica afro-brasileira como sendo um dos universos musicais mais criativos e sistemáticos. As durações geram padrões que falam diretamente ao corpo. Não existe África, Bahia e Brasil sem o corpo, sem a festa, sem o espetáculo”, completa.
A comemoração se estende pelos cinco continentes, onde a Osesp irá integrar, ao lado de outras oito orquestras de várias partes do mundo, o projeto "Todos juntos: uma ode global à alegria”, desenvolvido com o Carnegie Hall, de Nova Iorque, que promoverá nove apresentações da Sinfonia nº 9 de Beethoven em diferentes países, sob a regência de Marin Aslop. “Beethoven deu forma ao arquétipo do herói da criação, o sujeito que inventa um outro mundo sonoro, que mergulha no controle estrutural da linguagem”, diz Paulo Costa Lima. A ideia é unir às homenagens um material bem brasileiro: um canto de capoeira, a peça de Paulo Costa Lima e uma nova obra da compositora Clarice Assad, carioca, 41 anos, que alude à canção “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso.
A primeira obra de Paulo Costa Lima que dialogou com o universo africano foi escrita em 1993 e chamou-se Atotô do L'homme Armé, feita para Orquestra de Câmara e executada em diversas cidades do Brasil como Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Campos do Jordão, além de chegar a solos americanos como no Lincoln Center e Carnegie Hall (Nova Iorque) e no Benaroya Hall (Seattle).
O compositor talvez possa ser definido como alguém que construiu o seu discurso musical, linguagem, técnicas e teorias a partir do interesse pelo entrelaçamento da criação musical com a cultura, sendo o contexto da Bahia uma espécie de observatório para as questões que foi tecendo ao longo dos anos. “Estar na Bahia me possibilita uma série de situações e fenômenos como a questão da hibridação, por exemplo, não como mistura, nem salada, nem ecletismo, mas como algo importante de se notar como as vertentes culturais distintas que se comunicam: heranças africanas e europeia num mesmo cenário”, explica.
Com mais de 120 obras e 500 performances pelo mundo – 15 países e 150 apresentações fora do Brasil -, a trajetória acadêmica de Paulo Costa Lima inclui estudos sobre a rítmica afro-brasileira e suas diversas manifestações na música brasileira, manifestações culturais que atestam toda a diversidade e a influência africana na cultura brasileira. Por essas características é que ele foi convidado ainda para participar, em maio de 2020, pela OSESP, na estreia de “Ojí: Chegança e Ímpeto”, dando continuidade ao mergulho na experiência africana no Brasil. “Minha obra não adere à noção de nacionalismo, pois não fixa características a serem apresentadas como emblemas de um determinado imaginário. As coisas fluem, os diálogos acontecem entre interlocutores diversos, mutantes, às vezes improváveis”, afirma.
E sobre Beethoven, reflete: “Especificamente na IX Sinfonia, o discurso de redenção da humanidade pela sua união e solidariedade pode ser visto como outro polo importante de atração para o momento atual”.
Abertura da celebração no Brasil – 250 anos de Beethoven
De 12 a 15 de dezembro
TODOS JUNTOS – UMA ODE GLOBAL À ALEGRIA
ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO
MARIN ALSOP regente
CAMILA TITINGER soprano
LUISA FRANCESCONI mezzo soprano
PAULO MANDARINO tenor
PAULO SZOT barítono
CORAL JOVEM DO ESTADO DE SÃO PAULO
CORO ACADÊMICO DA OSESPCORO DA OSESP
Ludwig van BEETHOVEN: Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op. 125 - Coral: 1º Movimento
Clarice ASSAD: Transição [Encomenda | Estreia Mundial]
Paulo Costa LIMA: Cabinda: Nós Somos Pretos – Abertura Sinfônica, Op. 104: Ô Zaziê
Ludwig van BEETHOVEN: Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op. 125 - Coral: 2º Movimento
Clarice ASSAD: Transição: Alegria, Alegria [Encomenda | Estreia Mundial]
Ludwig van BEETHOVEN: Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op. 125 - Coral: 3º e 4º Movimentos
Ensaio Aberto: Todos Juntos – Uma Ode Global à Alegria
Dia 12/12, às 10h
Ingresso: R$15
Concertos Especiais: Todos Juntos – Uma Ode Global à Alegria
Dia 12/12, às 20h30
Dia 13/12, às 20h30
Dia 14/12, às 16h30
Dia 15/12, às 16h
Ingresso: R$55 a R$230
Mais Informações: http://www.osesp.art.br/ paginadinamica.aspx?pagina= temporada2020
Sobre o autor
Paulo Costa Lima - Compositor, Membro da Academia Brasileira de Música (cadeira 21 - Claudio Santoro); Membro da Academia de Letras da Bahia (cadeira: Cipriano Barata); Membro da Academia de Ciências da Bahia (membro-fundador). Professor Titular de Composição da Escola de Música da UFBA. Posições exercidas: Diretor da Escola de Música (1988-92), Pró-Reitor de Extensão da UFBA (1996-2002), Presidente da Fundação Gregório de Mattos (virtual Secretaria de Cultura de Salvador, 2005-2008). Assessor Especial do Reitor da UFBA (2014-). 8 Livros publicados; 7 livros organizados; 35 artigos nacionais e internacionais. Portfolio com 120 obras; contando com mais de 500 performances em mais de 20 países.
Sobre Cabinda: nós somos pretos
A peça desenha um painel de negritudes musicais baianas - de origem Ketu, Angola e Caboclo - em diálogo com as tradições vanguardistas da música, e em especial, com o movimento dos Compositores da Bahia (Ernst Widmer e Lindembergue Cardoso). Busca aquela metáfora da 'alegria guerreira' que o poeta Waly Salomão cunhou com relação à produção cultural negra (na Bahia). A peça foi objeto de artigo analítico da pesquisadora Ilza Nogueira (UFPB e Academia Brasileira de Música), o qual foi apresentado em evento internacional da área de Musicologia na Alemanha - considerada como referência da produção atual em Composição.
Referências, Paulo Costa Lima
Uma canção recente: https://www.youtube.com/watch? v=1SUH-GLS8NI
Coluna no Terra Magazine:
Coluna na Rádio Metrópole (Salvador): https://soundcloud.com/ grupometropole/12-08-19- comentario-paulo-costa-lima
Pesquisa 'música e psicanálise': http://manmessias21.blogspot. com/2010/10/musica-e- psicanalise-de-paulo-costa. html
Cabinda, com a Orquestra de Campinas: https://www.youtube.com/watch? v=jT80I4Pm4CM



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